Daniel
Nunes é psicoterapeuta e realiza atendimentos individuais no Azahar
Spa
Informações
no site: www.danielprnunes.com
E aqui quero
apresentar um primeiro conceito da psicoterapia junguiana. Jung diz
que a energia psíquica é uma só; o que muda é sua configuração. Nossa energia vital varia de acordo com nosso sono, alimentação,
etc; já a energia psíquica não sofre variação de
quantidade, mas de qualidade. Essa compreensão é muito importante,
pois significa que a energia está com a pessoa, mas na depressão ela não está disponível.
Mas como assim?!? Se
ela não está disponível, onde ela está?!?
Vou dar um exemplo
antes de explicar.
Uma pessoa costuma
dormir todos os dias às 10 horas. O sono a essa hora é grande e ela
já não tem a mesma disposição de quando acordou. O telefone toca
e ela recebe uma notícia de que passou no vestibular, mas que irá
precisar ir naquele momento a outra cidade para realizar a matrícula
no dia seguinte pela manhã. Como esta pessoa sonhava muito com essa
vaga, neste momento a sua “configuração” muda e ela assume uma
postura de muita alegria e disposição para viajar. Talvez nem
consiga dormir a noite devido à excitação da conquista.
Bom.. o que nos
mostra esse simples exemplo? Ele mostra que a alegria da notícia
mobilizou uma energia da qual a pessoa não estava consciente. Essa
energia estava lá, mas não presente na consciência, caso contrário
a pessoas não sentiria sono.
A psicologia
junguiana considera que temos uma parte consciente e uma parte
inconsciente. Assim, na consciência nós nunca teremos toda nossa
energia psíquica, caso contrário não haveria inconsciente. A
depressão é um estado no qual grande parte da energia que deveria
estar na consciência fica presa no inconsciente. Há muitos motivos
que podem provocar este aprisionamento de energia. Uma grande perda,
frustrações constantes, um ideal não realizado, entre outras.
Quando se trata de algo crônico, geralmente falamos de uma condição
fisiológica mais delicada de se transformar. Mas em qualquer dos
casos, é fundamental que a terapia permita que a pessoa reconheça o
sentimento que está drenando suas forças para o incosnciente. O
psicoterapeuta não pode fazer isso pela pessoa. Mas ele pode usar a
terapia para ser um espelho em sua frente e encorajá-la a olhar em
seus olhos. Há que se ter coragem para ver nos próprios olhos o
medo da vida... mas mais do que isso.. por trás do medo, a profunda
vontade de viver encoberta por uma compreensão deformada da
realidade. Encoberta por um sentimento do qual dificilmente a pessoa
quer se desfazer, pois isso implica muitas responsabilidades perante
a própria vida, e ela sente justamente que não quer viver.
Vencer uma depressão
é um grande grito de amor por si.
Nenhum comentário:
Postar um comentário